quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um cabra bem ousado....

No dia em que encontrar a pessoa certa para em seus braços depositar todo o meu amor.
E essa tal, entender, compreender que em seus ombros carregara tamanha felicidade.
Ao mundo um recado enviarei.
Por motivo de força maior.
Todas as candidatas que se escreveram, queiram desconsiderar.
Pois de fato e fé.
Apareceu a costela que tinha perdido em eras passadas.
E como o comprimento, peso e espessura da mesma batem com o
Procurado.
Agradeço o enterese de todas que se esmeraram em tentar fazer feliz esse pobre mancebo.
Poro.

Enviado por Pororoca em 24/05/2012
Reeditado em 24/05/2012
Código do texto: T3685035
Publicado em: Recanto das Letras

sábado, 10 de dezembro de 2011

PEDAGOGIA HOSPITALAR

PEDAGOGIA HOSPITALAR

PEDAGOGIA HOSPITALAR



PRÁTICAS EDUCATIVAS EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES: A PEDAGOGIA NO HOSPITAL


Daniel Feitosa Barros¹
Universidade Federal do Piauí - UFPI

RESUMO

O presente texto tem como objetivo discutir a atuação do Pedagogo em contextos não escolares, aqui em especial, no contexto hospitalar. Nessa perspectiva, fizemos um breve levantamento histórico sobre o conceito de Pedagogia e, também, discorremos acerca de alguns aspectos da formação do Pedagogo nos dias atuais. Nossa fundamentação teórica é baseada nas idéias de autores como Libâneo (2002), Matos& Mugiatti (2009), Franco (2005), dentre outros. Finalmente, nossa pesquisa aponta para distinções significativas acerca das funções e atribuições do pedagogo hospitalar em ambientes não escolares, particularmente, no seu ambiente hospitalar.

PALAVRAS-CHAVE: Pedagogia Hospitalar. Práticas Educativas. Educação. Pedagogia. Ambientes não escolares.

ABSTRACT:

This paper aims to discuss the Pedagogue’s role out of school, particularly in hospital. From this perspective, we made a brief historical survey on the pedagogy concept, and also, we talk about some aspects of Pedagogue formation nowadays. Our theoretical framework is based on ideas of authors such as Lebanon (2002), Mugiatti & Matos (2009), Franco (2005), and others. Finally, our research shows the significant distinctions of the  functions and  Pedagogue's duties out of the school, privately in hospital.

KEYWORDS: Education Hospital. Educational Practices. Education. Pedagogy. Non-school settings.



INTRODUÇÃO

            Antes de iniciarmos uma discussão sobre as práticas pedagógicas e educativas nos ambientes não escolares, em especial no Ambiente Hospitalar, teremos que primeiramente entender o que é a Pedagogia e quais as funções do profissional Pedagogo, pois só assim iremos conseguir entender e enxergar esse profissional nos demais ambientes sociais, além do escolar.
            Muitas pessoas ao ouvirem os termos “Pedagogia” e “Pedagogo”, logo os associam como sendo: “as formas de ensinar” e “aquele que ensina as formas de ensinar”. De fato, há um considerável número de pessoas que acreditam fielmente que a Pedagogia resumiu-se somente a essas formas de ensinar e que o Pedagogo seria o responsável por somente ensinar esses métodos e técnicas de ensino. A sustentação desses conceitos por parte de um número considerável de pessoas (que compõe o senso comum) pode até ser aceito, se quisermos limitar a Pedagogia somente ao metodológico, mas é inadmissível que os profissionais ligados diretamente com a educação, em especial os próprios pedagogos, mantenham essa ideologia. Consideramos LIBÂNEO (2002, p. 62) quando ele afirma que:

[...] Uma pessoa estuda ou se serve da pedagogia para ensinar melhor a matéria, a utilizar técnicas de ensino; desse modo, o pedagógico seria o metodológico. Tal entendimento poderia até ser compreensível, caso fosse atribuído a professores de matérias sem vínculo direto com a educação, ou seja, profissionais do ensino mais ou menos leigos em relação ao campo investigativo da educação. Mas seria impróprio a professores ligados ao campo da educação manter uma ideia de senso comum sobre o caráter do pedagógico.

            Com base nisso, o que não podemos esquecer é que antes da prática pedagógica é necessária a fundamentação teórica científica, a reflexão, os questionamentos, os diálogos, sugestões sobre os conteúdos propostos, a investigação, a pesquisa, etc., o ensinar por sua vez é apenas uma das funções de todo o trabalho pedagógico. A Pedagogia deverá investigar sobre as situações-problemas relacionadas à educação e buscar soluções para as mesmas. Só por essa análise (delegar a pedagogia como aquela que investiga problemas na educação) podemos claramente enxergar que a Pedagogia e o Pedagogo não vão apenas investigar o “ensino” e nem tão pouco, somente os “métodos de se ensinar”, mas sim tudo aquilo que envolva a educação.
            E em tempos de se falar de Educação, é extremamente importante não deixar de salientar que a Pedagogia é a uma ciência que possui como seu objeto de estudo a própria Educação. Daí, podemos nos questionar, quantos problemas existem na educação? Onde a educação se faz necessária? Como podemos exercer a educação e quais são os recursos e/ou processos técnicos necessários para se praticá-la? Essas são apenas algumas das inúmeras outras questões que podem ser levantadas sobre o imenso campo educativo. Ou seja, estamos nesse momento discutindo sobre uma área de estudo enorme e muito, mais muito abrangente. O campo investigativo da educação é gigantesco e bastante diversificado (Brandão, 1995). Para cada pessoa, situação, lugar ou ambiente se faz necessário um comportamento educativo e deve-se ter uma pedagogia própria para estudo e orientação do mesmo. “Como a toda educação corresponde uma pedagogia, também há uma diversidade de trabalhos pedagógicos para além das atividades de educação escolar e ensino” (Libâneo, 2002, p. 60).
Assim, temos inclusive as próprias Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia constadas na Resolução CNE/CP Nº 1, de 15 de maio de 2006, em seu Art. 3º e Parágrafo único, prevêem para o Curso de Pedagogia e seus estudantes uma formação onde:

Art. 3º O estudante de Pedagogia trabalhará com um repertório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos, cuja consolidação será proporcionada no exercício da profissão, fundamentando-se em princípios de interdisciplinaridade, contextualização, democratização, pertinência e relevância social, ética e sensibilidade afetiva e estética.
Parágrafo único. Para a formação do licenciado em Pedagogia é central:
I - o conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a educação para e na cidadania;
II - a pesquisa, a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área educacional;
III - a participação na gestão de processos educativos e na organização e funcionamento de sistemas e instituições de ensino.

            Ora, como se podem perceber as próprias Diretrizes do respectivo curso fomentam as atividades a serem desenvolvidas na Pedagogia pelo Pedagogo. Ainda em nível de graduação esse profissional exerce inúmeras outras atividades que lhe são incumbidas e que muitas vezes podem ou não estar ligadas direta ou indiretamente ao ensino. A gestão, por exemplo, é um dos trabalhos pedagógicos exercidos pelo Pedagogo que nem sempre vai está ligada ao ambiente escolar e nem tão pouco ao ensino. O Pedagogo pode muito bem gerir um sistema ou uma instituição que não tenha nenhum vínculo com o ambiente escolar, mas que exija educação e qualificação profissional dos demais colaboradores da mesma em suas regulamentações internas. O pedagogo nessa situação seria o responsável por elaborar projetos de “Educação Continuada” para os colaboradores, responsável também pela humanização, pelo respeito, a ética e demais aspectos morais que devem ser mantidos dentro e fora do ambiente de trabalho (seja ele qual for) e não somente com os colaboradores, mas também com a clientela destinada.
O que devemos entender é que, assim como a educação é um gigantesco espaço de investigação a Pedagogia também é. Daí, temos de relembrar mais uma vez que é ela a responsável por investigar este tão enorme e vasto campo educativo. Limitar a Pedagogia ao ensino e o Pedagogo como aquele que somente ensina, como já visto, é o mesmo que reduzi-los somente ao metodológico. A “Pedagogia é, antes de tudo, um campo científico, não um curso. O curso que lhe corresponde é o que forma o investigador da educação e o profissional que realiza tarefas educativas seja ele docente ou não diretamente docente.” (LIBÂNEO, 2002, p. 60).

I)      PEDAGOGIA: AMBIENTE ESCOLAR E NÃO ESCOLAR

            Tomando por base o que viemos discutindo até aqui, é interessante notar a forma singular e significativa de toda atenção voltada para o curso de pedagogia ao ensino. Não é a toa que o ambiente escolar é um dos ambientes mais abordados e procurados para o exercício da profissão do Pedagogo, afinal é na escola onde tudo se ensina e tudo se aprende para a formação de um bom cidadão.
            O ambiente escolar em si, é o local com maior responsabilidade sobre a formação do cidadão, pois em seu papel social tem por finalidade a inteira cobertura sobre os princípios e fins educativos considerados fundamentais para um desenvolvimento harmônico social.
            Se analisarmos bem, a estrutura de uma escola é montada basicamente para sistematização de uma educação contemplada por uma sociedade. Enxergamos esse ambiente, como aquele livre de qualquer má educação, sendo o local mais puro e indicado para se está. Tanto que confiamos a ela a educação disponibilizada a nossas crianças, jovens e adultos, ou seja, confiamos nossa própria vida e o futuro de nossa sociedade. Os pais, por exemplo, confiam deixar seus filhos na escola durante horas do dia, pois acreditam que eles estão no lugar correto para aprenderem e serem educados, bem como para se tornarem pessoas que mantenham o cumprimento das leis respeitando os direitos e deveres uns dos outros. Nesse sentido, podemos afirmar com propriedade que a escola é nosso segundo abrigo, pois depois do ambiente familiar ela é o local mais seguro e intimo que temos.
            De fato, não podemos negar que o ambiente escolar contempla muitas qualidades, inclusive que possui princípios e fins estabelecidos sobre a educação que é ofertada ao seu público-alvo (educandos), tanto que para que uma escola regular funcione, seja ela pública ou privada, a mesma tem de seguir os princípios e fins estabelecidos na forma da Lei 9394/96 que trata das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que visa junto com a Lei maior que rege nosso país, a Constituição Federal de 1988, oferecer uma educação de qualidade que tem por objetivo promover “o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para exercício da cidadania”.
            Ora, eis aqui a necessidade de começarmos a fazer nossos questionamentos mais uma vez. Se a escola é o local responsável pela educação e formação do cidadão, seria esse o principal local de investigação do campo pedagógico, já que esse foi construído com o objetivo de promover a educação? Assim como vários outros questionamentos que existem sobre o campo educativo escolar, esse é um bastante complexo e que talvez nem encontrem uma resposta satisfatória agora, poderíamos passar horas e mais horas, dias e mais dias e até anos e mais anos discutindo sobre esse questionamento sem encontrar uma resposta com satisfação, mas uma coisa podemos afirmar com segurança, existem outros ambientes que também promovem a educação e que merecem atenção significativa tanto quanto o ambiente escolar.
            Quando falamos de outros ambientes, estamos nos referindo aos espaços não escolares. Aqueles que diferente da escola, não possuem em seu objetivo maior a promoção direta da educação, mas que exigem que se façam educação em suas instâncias. Este é o caso dos ambientes Social, Empresarial e em especial aqui o Hospitalar.
            Tomaremos como primeiro exemplo para análise o ambiente Empresarial, para que logo possamos entender melhor o que se está sendo colocado. Veja bem, em um ambiente empresarial, dependendo do tipo de empresa (sendo uma inserida no mercado capitalista), o seu objetivo maior é seu desenvolvimento e a lucratividade através das “vendas” ou da “produção” de seus produtos específicos. Contudo, para que a empresa busque esse sucesso nas vendas e toda essa lucratividade, é necessário que a mesma possa contar com colaboradores qualificados, que estejam sempre atentos para o desenvolvimento e interesse do meio social e do público-alvo que ela queira atingir. Seus funcionários necessitam trabalhar em equipes, pra que juntos possam chegar em um denominador comum que é o objetivo da instituição, que seria o de oferecer um produto de qualidade a fim de que suas vendas possam crescer e assim aumentar seu lucro.
            Diante de todo o exemplo exposto logo acima, acredito que podemos chegar à conclusão de que para que uma empresa possa obter seu sucesso, é necessário que ela conte com ajuda indispensável da educação. Como chegamos a essa conclusão? É fácil e obvio. A qualificação contínua dos profissionais que trabalham nessa empresa se faz dentro da educação continuada; o trabalho em equipe/ou grupo é uma forma de interação e respeito entre os demais colaboradores (um conhece o trabalho do outro e logo aprendem juntos); conhecer o interesse social para desenvolver produtos de qualidade e satisfação desse meio se faz dentro de uma antropologia educacional que possui objetivos próprios; os projetos de estratégia de produção e venda devem ser elaborados de forma pensada e reflexiva; ou seja, uma empresa, seja ela qual for, necessita de educação para alcançar seu pleno desenvolvimento. Só em admitir que seus colaboradores necessitem está em constante processo de formação continuada, já podemos concluir que a educação se faz presente nesse ambiente, pois eles receberão novos conhecimentos e novas orientações educativas para o melhoramento e aperfeiçoamento de sua mão-de-obra.
            Como podemos perceber diferente do ambiente escolar que oferece sempre a Educação com e em todos os seus aspectos para sua clientela (alunos), o empresarial (não somente ele, mas o social e o hospitalar também) fundamenta-se na Educação para atingir seus interesses e suas metas.
            No ambiente hospitalar, por sua vez, poderíamos aceitar que seu objetivo maior se solidifica no diagnóstico, no tratamento, no cuidar e na atenção integral disponibilizada a saúde dos enfermos. No entanto, essa atenção integral contempla não somente o diagnóstico, o tratamento e o cuidar, mas também a assistência social continuada, a assistência educativa, a humanização, o bem está do enfermo. O trabalho em equipe no hospital é significativo e importantíssimo, pois contribuirá para a cura do paciente.
            Não sei se perceberam, mas em todos os exemplos, sempre o “trabalho em equipe” é mencionado. Não é a toa que Vigotski defende em sua teoria sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal que as relações e o trabalho em grupo sempre geram aprendizagens significativas e resultados louváveis para o que se pretende alcançar. É muito mais fácil e prazeroso resolver uma atividade com a ajuda de alguém do que se tentarmos realizá-la sozinhos.
            Para o exercício de práticas educativas nesses ambientes, é necessário que se tenha um profissional capacitado para atuar com segurança nesses espaços. Que seja conhecedor e investigador do campo educativo para melhor saber inserir e aplicar seus conhecimentos junto aos interesses desses espaços. Aqui, sugerimos o profissional Pedagogo como sendo o mais recomendável para determinada tarefa. O porquê dessa sugestão? Bem, vamos entender isso agora.
            Atualmente quando discutimos sobre educação, em especial nos anos iniciais do ensino básico, têm-se o pedagogo como sendo o principal responsável pelo processo de formação educacional inicial nas escolas regulares. É salvo dizer que o curso de pedagogia forma profissional habilitados para o desenvolvimento de trabalho pedagógico em todos os anos do ensino básico regular que este é capacitado (educação infantil, ensino fundamental menor – primeiro ao quinto ano, nos cursos de nível médio e profissionalizantes como forma de apoio pedagógico etc.). Esta capacitação é garantida pelo Art. 2º da RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1, DE 15 DE MAIO DE 2006 onde prevê que:

Art. 2o As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia aplicam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos.

Como podemos notar, o pedagogo é aquele responsável pela construção de conhecimentos científicos que compõe a educação fundamental dos anos iniciais de uma sociedade. Nesse contexto, temos que no ensino fundamental devem-se ser administrados aqueles conteúdos que são tidos como necessários e fundamentais para que um indivíduo possa viver sem maiores dificuldades em uma determinada sociedade. Desses conteúdos fundamentais, podemos destacar principais: o desenvolvimento da fala, da escrita, as noções básicas de geografia, história, ciências, matemática, artes, temas transversais e entre outros. É importante ressaltar que cada um desses conhecimentos possui sua significância particular para o indivíduo em formação, por serem administrados de forma sistêmica no âmbito escolar.
            O que não podemos esquecer é que além das Instituições Escolares e Clínicas Psicopedagógicas, a Pedagogia está presente também em outros campos sociais, onde são previstos trabalhos pedagógicos e práticas educativas; considerando o fato de que todo lugar que exista ou necessite de educação, faz-se presente o uso de uma pedagogia (Questione-se: qual é lugar em uma sociedade onde se tenha relações entre as pessoas e que não necessite de educação?).
            Ou seja, retomamos agora a discutir sobre a imensa diversidade e amplitude da educação e das práticas educativas pedagógicas, onde percebemos que a pedagogia não pode se limitar somente ao exercício da docência e nem tão pouco só aos ambientes escolares. Até mesmo porque de acordo com a resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006 que dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia, licenciatura. No Art.5º que trata do egresso do curso de pedagogia dispõe que o profissional de pedagogia deverá ser apto a: “IV - trabalhar, em espaços escolares e não-escolares, na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo”.
            Veja só a dimensão que apenas o Curso de Pedagogia oferece em nível de graduação, quem dirá o campo investigativo da educação que é a Pedagogia em si. Não esqueçamos que como já mencionado anteriormente por Libâneo, a Pedagogia é antes de tudo um campo investigativo e que o Curso forma apenas o profissional investigador. Sendo que esse profissional deve está preparado para promover a aprendizagem e mediar à educação em todos os espaços que forem identificados e previstos conhecimentos pedagógicos, sendo este escolar ou não escolar.

II)                PEDAGOGIA HOSPITALAR: A PEDAGOGIA E O PEDAGOGO NO HOSPITAL

            Há essa altura de nossa discussão, estima-se que já conseguimos enxergar com mais clareza o Pedagogo em ambientes além do escolar. Vemos o que era Pedagogia e pudemos conhecer um pouco do trabalho pedagógico exercido pelo Pedagogo. Iniciaremos agora nosso diálogo para a vertente da pedagogia no hospital e tentaremos juntos conhecer as práticas pedagógicas nesse ambiente tão carente de atenção humanizada e educacional.
            Faremos referência a nossa conversa quando estávamos discutindo sobre os conteúdos que devem ser administrados ainda em nível fundamental para os educandos que se encontram nesse nível, pelo profissional Pedagogo. Como vimos, os conhecimentos disponibilizados nos anos iniciais do ensino fundamental, como o próprio nível revela, são de fundamental importância para o educando em processo de aprendizagem, por serem indispensáveis para o convívio no meio social. Agora imagine o que aconteceria se esse processo de construção de conhecimento e educação fundamental for interrompido de forma brusca por motivos significativos e diversos, como por exemplo, a aquisição de uma enfermidade que venha a abalar o desenvolvimento cognitivo e físico do educando impedindo-o de frequentar o ambiente escolar. Como ficaria a situação de aprendizagem desse educando?
            Vamos então rever, conforme o exposto na Lei Maior que rege o nosso país, a Constituição Federal de 1988, mais precisamente o Titulo VIII – Da Ordem Social, Capítulo III – Da Educação, da Cultura e do Desporto, Seção I, artigo 205:

a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Ou seja, se a educação é um direito de todos e para todos, independentemente da situação e quaisquer circunstancias que esteja e que necessite, é primeiramente responsabilidade nossa (social) tentar garantir esse direito aos educandos que estão sendo formados nesse nível de ensino, pois são eles quem vão garantir o destino de nossa sociedade e nação (podendo ser generalizado também ao mundo, pois nossa sociedade está inserida no mundo). Por segundo, e mais específico, do pedagogo, pois ele como sendo o responsável pelo ensino e educação fundamental básica do meio social, deverá primar também por esses direitos e objetivos que são resguardados por nossa Constituição legal direcionada a educação, mediando o acesso ao ensino e educação inclusive às crianças e adolescentes que se encontram hospitalizados por motivos significativos (acometidos por patologias) que os impediram temporariamente ou mesmo definitivamente de frequentar um ambiente escolar regular.
Considerando também as diretrizes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, Lei 9394/96, a educação se faz como direito de todos dentro dos princípios e fins:

TTULO II
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;

Veja bem, a Lei 9394/96 explica detalhadamente como se deve fazer acontecer à educação básica como direito de todos, assim entendemos que as crianças e adolescentes que estejam hospitalizados e afastados do ambiente escolar também possam desfrutar desse direito (aprender e educar-se para se tornar cidadãos). Legitimar esse direito exige a disposição de assegurar essas responsabilidades a um profissional competente especialista em educação no ambiente hospitalar, sendo esse aqui referido o Pedagogo Hospitalar, responsável pela mediação do processo de ensino-aprendizagem dos educandos hospitalizados.
O termo Pedagogia Hospitalar designa a educação disponibilizada a crianças e adolescentes hospitalizados, que por motivos diversos tiveram sua saúde abalada. Em detrimento disso, essas crianças e adolescentes são sujeitas a interromper o processo educativo ministrado no ambiente escolar regular, passando assim os ambientes hospitalar e escolar, a exigir a necessidade de um profissional da educação que dedique atenção pedagógica a esses mesmos educandos que se encontra em atendimento hospitalar. Diante disso, esse novo profissional tem por função fazer cumprir o dever de proporcionar a continuidade da educação dessas crianças e jovens, bem como assumir o papel também de ajudar o hospital a concretizar seus próprios objetivos (MATOS e MUGIATTI, 2009, p. 67). O surgimento da pedagogia hospitalar se deu com intuito de proporcionar o estímulo para continuidade dos estudos desses educandos hospitalizados, para que os mesmos não venham a perder o ritmo de aprendizagem e nem tão pouco virem a repetir um ano escolar devido a uma internação hospitalar para tratamento de uma patologia ou má condição de saúde (MATOS e MUGIATTI, 2009, p. 68).
Colocar a educação em prática, em suma não é uma tarefa fácil. E quando se trata dessa prática dentro de um ambiente hospitalar, onde o educando está acometido por uma patologia e cercado de condições físicas, fisiológicas e sociais que dificultam ainda mais o acesso desse educado ao estudo e a aprendizagem, torna a prática educativa algo ainda mais complexo e significativo. Segundo Franco (p.177–178, 2005): "à medida que a sociedade se tornou tão complexa, há que se expandir a intencionalidade educativa para diversos contextos, abrangendo diferentes tipos de formação necessária ao exercício pleno da cidadania”. Em consideração a isso, percebemos que o hospital por se só, já é um ambiente de isolamento do indivíduo do meio social por está em tratamento patológico, e por ser assim, ele passa a exigir a competência de um profissional que seja responsável por intermediar e mostrar as crianças e adolescentes que elas não estão em completo isolamento e que continuam fazendo parte da sociedade, mostrando a elas que mesmo estando em atendimento hospitalar, ainda sim precisam cumprir com direitos, deveres e responsabilidades principalmente com a educação que é resguardada em todo o Capítulo IV da Lei Nº. 8.069, de 13 de julho de 1990 que dispõe sobre do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Nesse contexto a atuação do pedagogo é de mediador entre o educando e a escola (também sociedade), principalmente em ajudar o escolar a desenvolver seu papel de cidadão. O pedagogo hospitalar deve valorizar todo pequeno esforço que é demonstrado pelo aluno, incentivando-o cada vez mais seu desenvolvimento e melhoramento físico e cognitivo, visando sempre o aperfeiçoamento de suas habilidades tanto motoras, quanto intelectuais.
O pedagogo deve sempre levar em consideração os objetivos principais do processo educativo no ambiente hospitalar que é o de educar, humanizar e socializar esses educandos. Tendo em vista que os mesmos encontram-se em grande fragilidade mental e física, um tanto deprimidos por estarem em um ambiente de isolamento do restante do meio social. Isso torna o sofrimento desse escolar ainda maior, pois aqui não tratamos apenas de sofrimento físico ou dor física propriamente dita, mas também do sofrimento psicológico, este que é abalado significativamente, não pela dor, mas situação em que o mesmo se encontra. Portanto, nesse espaço, o pedagogo deve está mais do que bem preparado para enfrentar todas as dificuldades possíveis que serão encontradas nesse processo.
As funções desse profissional nesta área são bastante decisivas para que o discente tenha um resultado satisfatório não só na questão de ensino-aprendizagem, mas também na melhora do tratamento clínico. Neste sentido, é importante que o profissional seja bem preparado, que tenha confiança e competência no momento em que esta atuando, sabendo tomar as decisões cabíveis para cada caso encontrado. Para isso, é necessário que o Pedagogo Hospitalar, possua uma formação que contemple conhecimentos mais do que diversificados em educação e saúde, pois o mesmo terá de saber identificar e reconhecer as limitações de seus alunos, não só em nível de aprendizagem, mas também a nível patológico. Ou seja, ele tem que possuir informações sobre a doença que o discente tenha sido acometido, para que ele possa elaborar atividades de cunho educativo que respeite os limites desse escolar. Isso poderá ele adquirir através de uma formação técnica específica. Consideramos MATOS e MUGIATTI (p.24-25, 2002.) quando propõe que:

[…] é preciso que haja a necessária formação técnica para adaptar, criativamente, essas práticas às novas realidades que se apresentem. Assim, o educador, buscando novas soluções por meio do autoconhecimento, com o deslumbrar de outras fontes e assumindo o compromisso da transformação pessoal e social, passa a se tornar, juntamente com os demais profissionais da área de saúde, os artífices de uma nova proposta integrada, com a devida abertura para o desempenho de funções políticas e sociais em que se manifestem as eventuais necessidades de educação.

Nesta perspectiva, o pedagogo hospitalar atuará como uma ponte de mediação não só com o ambiente escolar, mas também com a equipe médica, pois usará estratégias para que o discente sinta-se à vontade num ambiente que frequentemente é visto como um foco de desânimos para as pessoas que se encontram em internação. Contribuindo assim, inclusive para processo de curativo do enfermo.
Nesse momento, é importante salientar que o Pedagogo Hospitalar em nenhum momento dará diagnósticos aos pacientes, pois o mesmo não possui capacitação e nem tão pouco qualificação profissional para este tipo de trabalho, mas de alguma forma o mesmo poderá ajudar a equipe médica ao oferecer auxílio, atendimento emocional e humanístico tanto para o paciente como para os familiares, que na grande maioria das vezes apresentam problemas de ordem psicoafetiva que podem prejudicar na adaptação do enfermo ao espaço hospitalar de forma psicológica, por isso esperam-se resultados positivos dos diagnósticos ou tratamentos.
Alguns exemplos dos trabalhos pedagógicos realizados no ambiente hospitalar são a utilização de brinquedotecas, videotecas, dentre outros espaços que são instalados para a concretização dos trabalhos de leitura, alfabetização, contação de histórias, desenvolvimento de raciocínio lógico em cálculos matemáticos e desenvolvimentos de atividades lúdico pedagógicas com os pacientes. Essas atividades visão oferecer as crianças e adolescentes hospitalizados a valorização de seus direitos a educação e a saúde, bem como também a atenção humanizada que proporcione uma formação cidadã de qualidade.

III)             CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há ainda muito que se fazer no sentido de qualificar profissionais e expandir estudos mais aprofundados nesta área, apesar de já percebermos que a mesma é bastante eficaz e diversificada. Cada vez mais os educadores percebem que a mudança pedagógica não se faz só promoção de aprendizagem de seu aluno dentro ou fora da sala de aula, mas também na experiência vivenciada pelo próprio profissional que a põe em prática ao conhecer novas situações e novas descobertas. Nessa prática, tem-se a possibilidade de perceber e desenvolver habilidades que eles mesmos desconhecem. Se já é difícil e complexo educar uma pessoa no ambiente escolar que esteja aparentemente saudável, quem dirá uma que esteja em tratamento patológico em um hospital. Isso sim é um desafio educacional laborioso.
            Nessa perspectiva, temos que a classe hospitalar deve, portanto, favorecer o desenvolvimento de atividades pedagógicas bem como oferecer um espaço para tal, dispondo de mobiliário adequado, instalações sanitárias próprias, completas, suficientes e adequadas, além de espaço ao ar livre para atividades físicas e lúdico-pedagógicas. Assim, com base em tudo que se foi exposto, podemos perceber que a educação como direito de todos os cidadãos (inclusive a classe hospitalar) se dá desde nossa Constituição de 1988. Cabe aos profissionais de educação labutar por fazer valer esses direitos e viabilizar as oportunidades de acesso a educação a esses educandos, bem como saber reconhecer o espaço e o papel do pedagogo hospitalar no ambiente hospitalar e nas classes hospitalares.


REFERÊNCIAS

BRASIL. Conselho Nacional das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, Licenciatura. Resolução nº 1 de 15 de maio de 2006 (DOU 11/04/2006).

BRASIL. Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Resolução n° 41 de Outubro de 1995 (DOU 17/19/95).

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Lei nº 9.394, de 23 de dezembro de 1996. Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001.

FRANCO, M. A. S. Pedagogia como ciência da Educação.  Campinas, SP: Papirus, 2005.

LIBÂNEO, José C. Ainda as perguntas: o que é pedagogia, quem é o pedagogo, o que deve ser o curso de pedagogia. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Pedagogia e pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez, 2002. p. 59-97.

MATOS, Elizete Lucia Moreira; MUGIATTI. Margarida Maria Teixeira de Freitas. Pedagogia Hospitalar: a humanização integrando educação e saúde. Rio de Janeiro: 4ª ed. Vozes, 2009.


REFERÊNCIA COMPLEMENTAR:

ASSIS, W. de. Classe Hospitalar: um olhar pedagógico singular. São Paulo: Phorte, 2009.

BRANDÃO, Carlos R. O que é educação. São Paulo: 33ª ed. Brasiliense, 1995.

COMENIUS, 1592 – 1670. Didática magna. Tradução Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1997.

DAMATTA, Roberto. O que é o Brasil. Rio de Janeiro: 1ª Ed. Racco, 2003.

GADOTTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: 7ª ed. Ática, 1996.

GHIRALDELLI Junior, Paulo. O que é pedagogia. São Paulo: 4ª. ed. Brasiliense, 2007.


Daniel Feitosa Barros (BARROS, Daniel Feitosa.)
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI
TERESINA-PI
PUBLICADO: COLOQUIO AFIRSE, 2011.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Currículo Escolar e Gestão Democrática



Refletir sobre a luz de que quando se fala em reforma educacional ou mudar as concepções teóricas e práticas do ambiente escolar, o currículo e uma das etapas de grande importância para tal empreendimento, tanto na fase de construção como de execução das teorias curriculares. E a elaboração do currículo é um ponto chave para a prática pedagógica do fazer do educador, pois o currículo é dotado de normas de ação, prescrições educativas, mas que também da oportunidade para o educador conduzi-lo da maneira que lhe achar melhor. Melhor dizendo o currículo é a teoria educacional mais a prática pedagógica ou planejamento mais ação, e isso constitui no ponto de partida das ações práticas educativas do fazer docente do educador no contexto da sala de aula. O currículo também vai servir para guiar outras atuações no contexto escolar, como por exemplo: a formação inicial e continuada do corpo docente, organização dos centros de ensino, confecção de materiais didáticos, entre outros, assim como assegurar a coerência dessas questões no contexto escolar.
Contudo, o currículo deve ser elaborado considerando todo o aspecto de desenvolvimento intelectual e físico de um educando, pois este aprende por etapas os conteúdos a serem trabalhados com o mesmo; os conteúdos devem ser apresentados conforme sua necessidade de utilidade e conforme também o interesse dos discentes a aprendê-lo.
É importante que o currículo seja elaborado já considerando sempre um conhecimento prévio do aluno. O professor deve tentar mostrar a importância e utilização do novo conhecimento adquirido para vida do escolar, para que esse possa encontrar significado no que aprende para se sentir estimulado a aprender ainda mais, além do mais, toda pessoa é dotada de um conhecimento prévio. O educador deve estimular seus alunos a procurarem e a construírem seu próprio conhecimento. O currículo escolar deve ser elaborado de forma sistematizada e que possua metas e objetivos a serem cumpridos. Ao final, o aluno deve saber identificar a importância dos conteúdos recebidos para sua vida cotidiana, pois de nada valerá o aluno ser bombardeado de novas informações se ele não vai saber o que fazer com elas ou como usá-las.
Nessa perspectiva de organização do currículo, passamos agora a ter a necessidade de explicitar outra abordagem, qual está direcionada à gestão escolar. Assim temos que, a gestão de uma instituição escolar deverá ser fundamentada em uma concepção democrática que possibilite a tomada de decisões coletivas e planejamentos contínuos, englobando aspectos administrativos, pedagógicos, financeiros ou sociais que possam colaborar de forma efetiva para o desenvolvimento de uma escola autônoma, que privilegie o aluno em todos os aspectos - psicológicos, sociais, culturais, éticos, - buscando sempre que possível a sintonia com a dinâmica do mundo moderno, adequando as novas tecnologias aos propósitos educacionais da humanização.


            O sucesso de uma escola depende dentre outros aspectos, da cooperação múltipla entre todos os membros engajados na tão difícil e encantadora "arte de educar". É indispensável, pois a colaboração dos gestores, educadores, colaboradores, e aqui em especial os pais e comunidade onde estes estejam articulados em torno de um único objetivo: “fazer acontecer à educação social como referencial social e o afetivo exercício da cidadania”.
            Para sobreviver em um grupo vencedor, construtivo e integrado são fundamentais alguns procedimentos, normas, regras valores e atitudes que nortearão o trabalho da equipe numa gestão participativa e democrática, dentre eles podemos citar:
·         Manter o grupo coeso, convivendo e sabendo lidar com as discussões, diferenças e conflitos;
·         Engajar toda a equipe em torno de um único ideal;
·         Consultar a equipe periodicamente antes da tomada de decisões;
·         Motivar o grupo uma vez que a produção do mesmo está intimamente associada ao grau de interesse e estimula que o mesmo possui;
·         Estabelecer, aplicar e manter objetivos e padrões de desempenho em equipe;
·         Comunicar a equipe a respeito dos planos atuais e futuros;
·         Contar com a ajuda e colaboração dos pais e comunidade nas tomadas de decisões;
·         Assegurar que a opinião e participação de todos, sem distinção, são indispensáveis para o desenvolvimento do ambiente escolar;
Com isso, podemos perceber que ao escolher uma escola para o filho (educando) é fundamental que os pais se sintam seguros com sua escolha e que disponibilizem espaços para que a escola possa labutar e intervir de forma significativa na formação do educando. É importante ressaltar que deve haver uma parceria entre pais/família e escola onde ambos possam demonstrar respeito e consideração entre si para se alcançar seus objetivos, que em privilegio maior, deve ser o sucesso do aluno.
            Quantos aos processos avaliativos, temos que a avaliação merece um destaque a parte, pois diz respeito a um processo mais amplo e abrangente que abraça todas as ações pedagógicas assim com todos os sujeitos neles envolvidos. Portanto, deve estar claro para aquele que avalia que ele também é parte integrante do processo avaliativo uma vez que foi o responsável pela mediação no processo de ensino-aprendizagem. Logo quando se lança o olhar si próprio. Ao avaliar deve-se ter em mente o processo comum todo, bem como aquele a quem se está avaliando.


Desse modo, desenvolver atividades que elevem à qualidade do ensino-aprendizagem considerando as diversidades culturais, sociais e individuais dos educandos e adequando os conteúdos de modo a favorecer ao aluno os desenvolvimentos intelectuais moral, éticos, físicos e afetivos tendo em vista uma formação ampla, satisfatória e eficaz.
Contudo, diante de tudo que foi exposto e abordado no livro, temos de considerar algo gravíssimo que é identificado em grande parte das escolas de nível regular de ensino, que é sobre o distanciamento da prática pedagógica com a realidade organizacional, isso implica em um comprometimento muito grande da educação e qualidade do ensino, pois passa a desmoralizar os mesmos fazeendo perder qualidade nos objetivos e ensino pretendido e educação desejada . Tendo em vista que ao que se nota, as escolas ainda trabalham com o sistema hierárquico onde maioria dos gestores não fazem prevalecer seu poder que lhe és de direito de participar e decidir juntos aos demais corpos da instituição.
Aposto na eficiência de uma gestão democrática, pois acredito fielmente que uma escola poderá progredir significativamente mais e com muita qualidade a partir do momento que a organização passar de fato a trabalhar numa perspectiva de gestão democrática, onde todos são pessoas ativas e responsáveis pelo desenvolvimento longínquo promissor da escola. É um direito de todos receberem a Educação, porém é dever daqueles que são responsáveis profissionalmente exercê-la e praticá-la com qualidade. Para tal é necessário que se faça dentro de uma gestão democrática, onde todos devem ser cientes e conscientes de seus deveres e importância significativa para o bem da instituição e acima de tudo da educação de nossos discentes.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Educação: Estatisticamente atrativa

Educação: Estatisticamente atrativa

Estatisticamente atrativa


Versátil e complexa, a Estatística fascina profissionais e estudantes pela vasta possibilidade de trabalho e boa remuneração




Caneta na mão, calculadora na mesa e muito raciocínio lógico. Assim é a rotina dos estudantes e profissionais da área de Estatística, ciência que teve sua origem na Antiguidade (3.500 a.c – 476 d.c), em razão da necessidade de se obter informações do número e riqueza dos habitantes e do poderio militar das nações, mas que só no século XVI ganhou as análises sistemáticas, as tabelas e as variáveis que possui hoje.
A Estatística, basicamente, é um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa que se dedicam ao planejamento de experimentos, à coleta qualificada de dados e à inferência, processamento, análise e disseminação das informações. Essa ciência se fortaleceu entre os séculos XVI e XVIII quando os países começaram a armazenar dados econômicos, como a produção de bens e alimentos e o comércio exterior. Atualmente, a Estatística não se limita ao estudo de Demografia ou Economia, que se tornaram campos autônomos, mas sim se estende à análise de dados e probabilidades em áreas como a Medicina, Metereologia, Física, Biologia e Indústria. Ramo da matemática, a Estatística está voltada para o estudo da ocorrência de eventos e é bastante útil em pesquisas de opinião pública, de mercado e em censos populacionais.
No Brasil, cerca de 20 universidades públicas oferecem o curso de graduação na área. Segundo a coordenadora do curso de Estatística da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Veronica Gonzalez-Lopez, os alunos não têm muitas dificuldades em conseguir o primeiro emprego: “Sou testemunha das oportunidades que os nossos ex-alunos têm no mercado de trabalho. Tendo em vista que 95 % resolve estagiar antes de concluir a graduação, os benefícios e a versatilidade do nosso curso permitem que o aluno se insira perfeitamente numa variada gama de opções de trabalho”, afirma


Revista Toque da Ciência.
Por: Ana Carolina Chica
07 de janeiro de 2011

sábado, 4 de dezembro de 2010

AVALIAÇÃO FORMATIVA




Quando um individuo ingressa na escola pela primeira vez sempre se depara com algo novo, com uma aquisição sistemica e organizada de conhecimentos cientificos, os quais se diferenciam dos conhecimentos que estes já possuíam até então de maneira espontanea e nunca de forma sistematizada.
O atual estado em que se encontra a situação das escolas em relação à avaliação da aprendizagem é que as mesmas utilizam a avaliação como forma de seleção e verificação, separando os alunos “bons” dos “ruins”, os “capazes” dos “incapazes” e os “aptos” dos “inaptos”. Essa prática classificatória termina deixando de lado grande maioria dos alunos.
A essencia de uma prática significativa de avaliação que não a considera como algo pontual, pois não podemos reduzi-la ao momento o qual um aluno submete-se a uma prova. Infelizmente a maioria das escolas consideram-no como o momento ideal ou único para perceber o que esse aluno aprendeu ou deixou de aprender sem levar em conta a hora ou o modo como o aluno se encontra, desconsiderando muitas vezes o estado físico, mental, pessoal e social desse aluno. Por conseguinte, uma prática classificatória de avaliação consisti-se num ritual de aprovar ou reprovar educandos – dizer quem é bom ou ruim; negando o real sentido da avaliação, que é o de acompanhar o proceso de desenvolvimento e aprendizagem objetivando sua melhoria, ou seja, é algo formativo, onde se vai levar em consideração habilidades, a compreensão dos conteúdos e desenvolvimento cognitivo dos educandos. A avaliação deve, portanto, observar o que o aluno aprendeu ou deixou de aprender, partindo de um ponto inicial e não possuindo uma terminalidade.
A avaliação formativa é muito abrangente e complexa, pois consiste em algo construtivo e formativo, onde o criterio maior é analisar como o conhecimento estar sendo formado na mente do aluno e como esse aluno recebe o conhecimento, verificando o que ele aprendeu e aquilo que ele ainda deve aprender. Esta prática avaliativa é laboriosa, requerendo muito tempo, atenção e dedicação.
Como exposto inicialmente percebe-se claramente, nas escolas, que os professores fazem uso de uma prática seletiva e classificatória em que os educandos são submetidos a responderem exercícios prontos e a provas objetivas, o que "eleva" ao mínimo a potencialidade dos alunos. Esta prática de avaliação  limita também as chances do professor de enriquecer seus conhecimentos a partir do diálogo da relação com seus alunos.
Portanto a “avaliação” não está passando de um caminho para obtenção de um diploma ou título que se torna mais importante do que a prórpia aprendizagem dos alunos. Ao contrário, pensamos que a avaliação escolar deve ser uma preocupação constante que englobe toda uma comunidade escolar, pois a maneira como essa avaliação será feita pelo professor poderá resultar em fatos inreversíveis para aprendizagem dos alunos.
O novo modelo de avaliação, - diagnóstica e formativa -  consiste em formar o aluno como uma pessoa dotada de conhecimento e ser critico. Aborda o aluno como aquele capaz de argumentar, defender e criar suas próprias ideias. Nesta perspectiva, o aluno tem que ser o questionador dos conteúdos e construir seu conhecimento junto a seu professor.
Certamente esta compreensão envolve o conceito de avaliação formativa, que vai além de somente verificar a aprendizagem de um sujeito. A ampliação deste conceito faz-nos perceber que o processo educativo se prolonga por toda a vida do indivíduo, o que ultrapassa a ideia de que a formação educacional vai somente até um determinado momento. Nossa defesa é da ideia de que um indivíduo está em constante aprendizagem.
É importante salientar uma vez mais que a avaliação formativa pretende mostrar o que o aluno ainda precisa aprender. Fundamenta-se nos pressupostos de aprendizagem que consideram-na a partir dos seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais, que obviamente entende o aluno como pessoa. Consiste em proporcionar aprendizagens significativas e funcionais, que se aplicam em diversos contextos e se atualizam o quanto for preciso para que se continue a aprender.


Então, o que caracteriza basicamente a avaliação formativa, é que esse tipo de avaliação deverá ser praticada continuamente e integrada ao fazer diário do professor em sala de aula, sendo uma ação global que leve em conta toda análise do desenvolvimento do aluno, em suas inúmeras capacidades: motora, cognitiva, relações interpessoais, etc. Só assim teremos uma avaliação de verdade.
Acreditamos que a avaliação formativa não possui instrumentos padronizados para sua execussão.  Basta-se que os doscentes atentem-se para a realidade de vida dos alunos, considerando aquilo que ele já sabe, aquilo que ele já conhece para que melhor possa promover a aprendizagem. Este tipo de avaliação deve levar em conta toda a diversidade educacional que um aluno está inserido ou submetido. Por isso, professor que aderir à avaliação formativa, como metodo avaliativo, terá de estar sempre atento ao processo de ensino-aprendizagem, pois um erro avaliativo do professor, poderá resultar na ocorrênncia erros futuros de aprendizagem para os educandos.
A escola deve desenvolver atividades que elevem à qualidade do ensino-aprendizagem considerando as diversidades culturais, sociais e individuais dos educandos e adequando os conteúdos de modo a favorecer ao aluno os desenvolvimentos intelectuais moral, éticos, físicos e afetivos tendo em vista uma formação ampla que proporcione uma aprendizagem eficaz e que abra espaço para uma avaliação do ensino-aprendizagem de qualidade.


REFERENCIAS

BRASIL, MEC - Paramentos Curriculares Nacionais Ensino Fundamental, 2008.

HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. Porto Alegre: Mediação, 2001.


Por: Prof. Daniel F. Barros (BARROS, Daniel Feitosa.)
Universidade Federal do Piauí - UFPI
Teresina-Pi
04/12/2010

sábado, 27 de novembro de 2010

Multiculturalismo



Noção polémica que se encontra associada a questões de origem sexual, raça, etnicidade, diversidade e diferença cultural, que envolve estratégias de desfamiliarização e uma narratologia crítica, bem como atitudes, discursos e políticas de descentração, em contextos sociais, políticos, educativos e culturais. O multiculturalismo implica basicamente a transição de uma cultura comum ou homogéna para culturas, visando a inclusão dos racial e sexualmente excluídos, e das vozes daqueles que têm sobrevivido nas franjas do poder central ou nas margens dos canônes literários e culturais. São duas as estratégias de inclusão: ou se getoizam aqueles que são diferentes em ‘minorias’ e se reduzem a uma representação ‘simbólica’ na cultura dominante, quando a ela são assimilados; ou se procuram integrar as diferenças culturais, descentrando-se os valores culturais tradicionais, em respeito pela pluralidade e diversidade, e questionando-se os esquemas de poder em vigor, em prol da justiça social. No contexto educativo, por exemplo, a educação multicultural corresponde à ideia de uma educação liberta de preconceitos raciais e promotora da diversidade cultural e de tolerância, respeitadora da diferença de grupos sociais, étnicos e sexuais, bem como de cada indivíduo, que atravessa curricula, manuais escolares, e dita mudanças estruturais e institucionais, por vezes até mesmo radicais, nas atitudes dos professores, nas políticas escolares e nas relações entre alunos.
O multiculturalismo encontra-se no cerne da ‘guerra de culturas’, polémica alimentada em torno dos curricula universitários e canônes do saber ocidental. Por um lado, o multiculturalismo é configurado como a expressão de uma nova sensibilidade cultural, crítica, pós-industrial, que recusa a cultura como única ou identitária e que procura articular sistemas de valores abalados, os quais teriam lavado à desintegração da cultura ‘cultivada’ e ao seu desmembramento em cultura de massas, cultura popular, cultura de elite, sub-culturas, contra-culturas, de modo a esvaziar de sentido a própria noção de ‘cultura’. Do outro lado do conflito, o multiculturalismo é condenado como ameaça ao crescimento económico, visto que a diversidade ou heterogeneidade cultural suscita perdas na liberdade individual de cada um e instabilidade social nos modos como determinados grupos culturais dominam outros. Ou, para outros críticos, igualmente conservadores, como Allan Bloom (em The Closing of the American Mind), Dinesh D’Souza (em Illiberal Education: the politics of race and Sex on the campus), ou Roger Kimball (em Tenured Radicals: How politics has corrupted our higher education), o multiculturalismo constitui uma espécie de ideologia neo-marxista que espalha a barbárie: o populismo, a aceitação indiscriminada e relativista de múltiplos pontos de vista, a distorção e eliminação de factos e o encorajamento dos valores de massa, que aniquilam a tradição de uma cultura homogénea e elitista, moral, ética ou esteticamente desejável, e dizimam a civilização ocidental e os seus canônes. Para os defensores radicais do multiculturalismo, ele inclui a voz e o poder das minorias oprimidas, das culturas perifèricas, e opera uma narratologia crítica de transformação e remodelação dos canônes, de reavaliações culturais de narrativas que foram marginalizadas e que persistem às margens, ou nos interstícios, da sociedade.
Segundo MacLaren (1995), podem-se distinguir várias modalidades de posições multiculturais: o multiculturalismo conservador, o multiculturalismo liberal e liberal de esquerda, e o multiculturalismo crítico ou de resistência. O multiculturalismo conservador pretende a construção de uma cultura comum, unitária e nacional, entendendo a diversidade cultural, rácica ou sexual como devendo ser assimilada à cultura tradicional, geralmente definida por padrões patriarcais, brancos, euro-americanos. Tal como este, o multiculturalismo liberal visa políticas de assimilação, e embora presuma que vivemos numa cultura igualitária em termos de raça ou sexo, aponta as desigualdades de oportunidades educativas nos sistemas capitalistas. O multiculturalismo liberal de esquerda encontra-se mais atento aos modos de operar do poder e do privilégio e sublinha as diferenças culturais ditadas por classe, raça, gender e sexualidade; enquanto que o multiculturalismo crítico ou de resistência, não satisfeito em apenas desestabilizar os sentidos dominantes na sociedade, visa transformar as próprias condições sociais e históricas que naturalizam os sentidos culturais. Para ele não existe uma humanidade comum, mas apenas identidades definidas pelos contextos de poder, de discurso ou de cultura.


BIBLIOGRAFIA: Richard BERNSTEIN (1995) The Dictatorship of Virtue. Multiculturalism and the battle for America’s future. New York: Knopf; Homi BHABHA (1994) The Location of Culture. London: Routledge; Henry GIROUX (1994) Disturbing Pleasures, New York: Routledge; Donaldo MACEDO (1994) Literacies of Power: What Americans Are Not Allowed to Know, Boulder Co.: Westview Press; Peter MacLAREN (1995) Critical Pedagogy and Predatory Culture. Politics in a Postmodern Era. London and New York: Routledge; Peter STALLYBRASS and Anthony WHITE; (1986) The Politics and Poetics of Trangression, Ithaca: Cornell University Press.


Maria Margarida Morgado

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

[...] Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos .




Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão .


Fernando Pessoa