quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PRIMEIROS SOCORROS COMO DISCIPLINA DO ENSINO BÁSICO REGULAR


PRIMEIROS SOCORROS COMO DISCIPLINA DO ENSINO BÁSICO REGULAR


Atualmente quando se discute sobre educação nas séries iniciais tem-se o pedagogo como sendo o principal responsável pelo processo de formação educacional inicial nas escolas regulares. É salvo dizer que o curso de pedagogia forma profissionais habilitados para o desenvolvimento de trabalho pedagógico em todas as séries do ensino básico, porém o campo de atuação do pedagogo não se limita somente a ambiente escolar. Hoje vem surgindo um novo olhar ao ver o Pedagogo, não somente como o educador escolar, mas também como mediador dos processos educacionais como todo.
O campo de atuação da pedagogia é muito mais amplo do que o senso comum pode imaginar, pois o pedagogo trabalha em todo e qualquer lugar que haja algum ambiente de interação e formação de pessoas influenciando em opiniões e participando como facilitador na educação e no processo de ensino-aprendizagem. Inúmeras são as áreas de operação que esse profissional está inserido no mercado de trabalho, algumas dessas áreas como Educação Especial – onde este profissional atua executando trabalhos com alunos portadores de necessidades especiais; têm-se também a Pedagogia Empresarial – onde este profissional realiza a promoção de treinamentos, eventos, reuniões, desenvolvimento de projetos de capacitação profissional, elaboração de materiais didáticos, festas educacionais, feiras, exposições, excursões, ensino continuado dentro das empresas e indústrias; assim como também e em grande destaque nesse trabalho a Pedagogia Hospitalar – onde o pedagogo é capacitado para atuar como mediador sobre questões educacionais, emocionais tendo noções sobre enfermidades que supostamente são mais frequentes na realidade de cada hospital, para atuar dentro do campo hospitalar, promovendo uma educação continuada fora da escola.
O papel do Pedagogo é adaptar as necessidades do corpo discente ao ambiente que este educando está inserido, encontrando metodologias adequadas para que o aluno melhor desenvolva e amplie seus conhecimentos na jornada escolar, seja dentro ou fora de uma instituição ensino.
Apresentando ênfase a Pedagogia Hospitalar, de caráter humanístico, essa abordagem visa à obtenção de aprendizagem para pessoas hospitalizadas através do lúdico, fazendo com que o paciente (crianças e adolescentes) não desanime no seu desenvolvimento educacional.
Objetiva também manter os pacientes em conexão com a sociedade, não os deixando perder a qualidade de cidadãos críticos, e que pertencem a um determinado contexto sócio-histórico. Esse trabalho de humanização e socialização resulta em uma recuperação eficaz do paciente, paralela ao seu desenvolvimento cognitivo, fazendo-o também acreditar que suas pontecialidades físicas e intelectuais é que serão suas bases para continuar desenvolvendo seu papel social.
A saúde é um conceito positivo, um recurso quotidiano que implica “um estado completo de bem-estar físico, social e mental e não apenas a ausência de doença e/ou enfermidade (Organização Mundial de Saúde - OMS, 1993). Dentro desta perspectiva, a Educação para a Saúde deve ter como finalidade a preservação da saúde individual e coletiva.
Em contexto escolar, Educar para a Saúde consiste em dotar as crianças e os jovens de conhecimentos, atitudes e valores que os ajudem a fazer opções e a tomar decisões adequadas à sua saúde e ao tal bem-estar físico, social e mental.
A ausência de informação incapacita e/ou dificulta a tomada de decisão. Daí, a importância da abordagem da Educação para a Saúde em meio escolar. A grande maioria dos acidentes poderia ser evitada, porém, quando eles ocorrem, alguns conhecimentos simples podem diminuir o sofrimento, evitar complicações futuras e até mesmo salvar vidas. Diante disso vemos a fundamental importância dos conhecimentos emergenciais para vida de todo e qualquer sujeito, pois através desta cognição todas as pessoas saberão agir em situações que possam apresentar perigo iminente a vida de um cidadão.



Escrito por: Daniel F. Barros
Em 21/09/2010

Crítica neomarxista de Michael Aplle


NASCEM OS "ESTUDOS SOBRE CURRÍCULO": AS TEORIAS TRADICIONAIS.

A palavra currículo está associada a preocupações de organização e método. A literatura americana influenciou que o termo currículo surgiu para direcionar um campo especializado de estudos. Bobbitt escreveu em 1918, o livro The Curriculum, esse livro surgiu num momento crucial em que diversas forças econômicas, políticas e culturais, procuravam modificar os objetivos e as maneiras da educação de acordo com a sua forma de ver. E nesse período surgem vários questionamentos sobre o sistema educacional e Bobbitt respondeu a essas interrogações com a sua maneira conservadora, ele sugeria que as escolas funcionassem do mesmo jeito que as empresas, comerciais e industriais, então as escolas deveriam ter a iniciativa de estabelecer suas metas. Esse novo modelo estava voltado para a economia e enfatizava a eficiência, essa proposta assemelhava autorizar que a educação tornava-se científica e quais eram as habilidades necessárias para as várias atividades.
Para Bobbit o currículo era algo mecânico, já que se consistia numa questão de organização de uma atividade burocrática, algo técnico. Mas não se pode deixar de considerar o currículo como algo que vá além da técnica por que deve ser levado em conta as praticas educacionais que vão ser elaboradas.
Para Tyler é uma questão de organização e desenvolvimento, esse trabalho deve ser intermediado por habilidades a serem desenvolvidas, o currículo deve ser baseado também nesse paradigma, já que lê é feito no propósito daquele que o realiza que seja alcançado o conhecimento através de habilidades.

ONDE A CRÍTICA COMEÇA: IDEOLOGIA, REPRODUÇÃO, RESISTÊNCIA.

Período onde começam a surgir críticos do currículo, o responsabilizando pelas desigualdades sociais e a reprodução da sociedade da época, considerando esse meramente técnico, são mencionados autores como Althusser, que fala a respeito dos aparelhos ideológicos do Estado, e como a escola o meio pelo qual deveria existir uma oportunidade de ascensão social apenas reproduz uma sociedade, tornando-a inerte.
Seguidamente o capítulo dois vai dando continuidade a explanações relacionadas entre currículo e escola, de modo que explicita baseado nos escritos de Bowles e Gintis como esses influenciaram a sociedade capitalista da época dentro das escolas, a maneira como introduziam as tendências capitalistas de mercados dentro da instituição de modo tão natural e espontâneo, por intermédio até de ações meramente funcionais que existiam dentro das escolas. O que segundo o autor tornava essas escolas também reprodutoras da economia capitalista existente na sociedade da época. Ainda nessa perspectiva o autor menciona Bourdieu e Parsons quando esses falam a respeito da reprodução cultural; que para o autor em conformidade que faz dos escritos desses autores é de certa forma imposta pela classe dominante, lembrando que de maneira sutil, o que conseqüentemente gera nos currículos escolares adaptação a cultura dominante, e assim sendo, direciona-se mais a uma determinada classe, o que vai gerando a predominância dessa classe em níveis mais avançado de estudo. Então o que nos propõe os autores mencionados por Tomaz Tadeu é que o currículo se adeque a ambas as classes ou mesmo a toda sociedade de modo que não venha priorizar nenhum grupo, mas sim a sociedade em geral.
Acreditamos que por um longo período na história da educação brasileira houve a predominância de favorecimento em questões curriculares a determinada classe, no entanto, presenciamos essa mudança acontecer ao longo dessa mesma história, sabe-se que não é de muito tempo essa mudança, consideramos essa até recente, mas o mais importante é percebermos a luta pela igualdade de oportunidades, partindo da educação, temos como exemplo de educadores que lutaram para isso acontecer, Paulo Freire, o que prezou por uma pedagogia e uma escola autônoma, onde houvesse igualdades de direitos e oportunidades, é interessante que se siga nessa perspectiva para que se enxergue na educação escolar um meio oportunista de crescimento não apenas cultural, social, de conhecimentos, mas de perspectiva de vida, de mobilização social e acima de tudo satisfação pessoal, pois tudo isso pode gerar também a busca pelo conhecimento e sua valorização.

CONTRA A CONCEPÇÃO TÉCNICA: OS RECONCEPTUALISTAS

Este capitulo mostra que a concepção técnica que se tinha de currículo estaria perdendo seu lugar, formava-se nesse momento movimentos de reação contra esse modelo de currículo burocrático e administrativo. O currículo passaria a ser mais abrangente, deixando de ser centrado apenas nas questões sociais e econômicas, adotando assim campos como sociologia critica e a filosofia marxista.
No movimento de reconceptualização as pessoas começavam a perceber que aquele modelo ou currículo técnico e administrativo não se enquadrava nos padrões de teorias sociais européias, pois estes tenham um outro nível de informação, como a fenomenologia, a hermenêutica e o marxismo onde a ênfase não estava no papel das estruturas ou em categorias teóricas abstratas, mas sim no significado subjetivos que é dado as experiências pedagógicas e curriculares.
Currículo na perspectiva fenomenológica trata a questão da experiência, na qual os docentes e aprendizes possam aprender com as suas próprias experiências de vida. E fazer dessas experiências um objeto de investigação. Sendo muito enriquecedor poder se basear nas próprias experiências, e usar de temas que fazem parte do cotidiano, usar isso como atributo, um fator interessante é a combinação de da autobiografia com a orientação fenomenológica que é o que caracteriza todo esse questionamento.

A CRÍTICA NEOMARXISTA DE MICHAEL APLLE

Tendo como ponto de partida os elementos centrais da crítica marxista da sociedade, Apple acredita que a dinâmica da sociedade capitalista gira em torno da dominação de classes. Baseando-se em Louis Althesser que foi muito influenciado por idéias marxistas, chegou a argumentar que a continuidade da sociedade capitalista depende da reprodução de seus componentes econômicos e ideológicos, cuja sustentação se dá através de mecanismos e instituições encarregadas de garantir o status sem contestação. A produção e disseminação da ideologia são feitas pelos aparelhos ideológicos do Estado, entre muitos se cita a Escola, constituindo um dos mais importantes aparelhos, pois aborda toda a população, tanto a classe dominante quanto a classe dominada.
A escola atua ideologicamente através do seu currículo, que divulgam crenças explícitas sobre a desejabilidade das estruturas sociais. Acaba que por vedar os olhos da sociedade com uma idéia errônea a respeito de algo ou fato existente na sociedade, em prol de manter o poder das classes dominantes. As escolas dirigidas aos trabalhadores subordinados tendem privilegiar relações nas quais os estudantes aprendem a receber ordens e obedecer; esse fato entra em contraste com as instituições dirigidas àqueles dos mais altos níveis sociais, que tendem favorecer relações em que os alunos tenham atitudes de autonomia, comando e domínio.
Para Apple a escola torna-se um aparelho ideológico pelo fato de seu currículo não ser questionado e nem tão pouco observado pela sociedade a esse grosso modo crítico, ao ponto de notar que a escola apenas transmite ou reproduz conhecimentos que são produzidos em algum outro lugar.
Com isso, o autor acredita que o currículo não pode ser compreendido e nem transformado se não for feito um questionamento sobre suas conexões com o poder. O currículo escolar existe praticamente para manter a reprodução de uma linha de conhecimentos que alienem a sociedade em tal forma desta acreditar que estar por seguir um ideal, quanto na verdade estão apenas garantindo a hegemonia dominante sobre as demais classes sociais.

O CURRÍCULO COMO POLÍTICA CULTURAL: HENRY GIROUX

A critica de Giroux estava centrada, numa reação às perspectivas empíricas e técnicas sobre o currículo então dominantes. Nesta análise, as perspectivas dominantes ao se concentrarem em critérios de eficiência e racionalidade burocrática, deixavam de levar em consideração o caráter histórico, ético e político das ações humanas e sociais e principalmente o currículo do conhecimento. Giroux se inclinava para uma posição que era claramente tributaria do marxismo, mas ele queria evitar uma identificação com a rigidez econômica de certos enfoques marxistas. Seu trabalho inicial iria se concentrar boa parte no desenvolvimento de uma cuidadosa critica sobre as teorizações a teoria educacional, bem como no esboço de alternativas que pudessem superar aquilo que ele via como falhas e omissões dessas teorias.
O autor critica essas análises por não darem suficientes ou nenhuma atenção as conexões entre as formas como essas construções se desenvolvem no espaço restrito da escola e do currículo e as relações sociais mais amplas de controle e poder.
É no conceito de resistência que Giroux vai buscar as bases para desenvolver uma teorização critica, sobre a pedagogia e o currículo. Ele já fala aqui numa “Pedagogia de Possibilidades” – a vida social em geral e a pedagogia e o currículo em particular não são feitos apenas de dominações e, contudo, deve haver um lugar para oposição e resistência, para a rebelião e a subversão.
Giroux é amplamente influenciado, nesse aspecto, pela pesquisa do sociólogo inglês Paul Willis, de que a cultura é um momento e um espaço de criação autônoma e ativa que poderia ser explorado para uma resistência mais politicamente informada.
Três conceitos são centrais à concepção emancipadora ou libertadora do currículo e da pedagogia: Esfera pública, intelectual, transformador, voz. Giroux argumenta que a escola e o currículo devem funcionar como “esfera pública democrática”. Os professores e professoras como intelectuais transformadores. A voz como necessidade de construção de um espaço onde os anseios, os desejos e os pensamentos dos estudantes possam ser ouvidos e atentamente considerados. Giroux vê a pedagogia e o currículo através da noção de “política cultural”. O currículo é um local onde, ativamente se produzem e se criam significados sociais.

O CURRÍCULO COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL: A “NOVA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO”

A nova sociologia da educação explicitava sua preocupação com o processo de pessoas, deixando de lado o processo que envolvia o conhecimento. Por isso vários autores começaram a se preocupar com a NSE estudando idéias nas quais se poderiam melhorar os conceitos tradicionais nela existentes.
Segundo o autor, a tarefa de uma sociologia do conhecimento em ponto de desenvolvimento consistiria em destacar o caráter socialmente construído das formas de consciência e de conhecimento, estreitando relações sociais e econômicas.
É importante mostrar que a tarefa de uma sociologia do currículo é sair da neutralidade enfatizando assim seu caráter histórico, social, contingente e arbitrário, conforme explicita o texto.
O autor frisa que, o conhecimento escolar e o currículo existente como invenções sócias, como o resultado de um processo envolvendo conflitos e disputas em torno de quais conhecimentos deviam fazer parte do currículo. Segundo Esland, o currículo não pode ser separado do ensino e da avaliação, pois o mesmo concentra-se na forma como o conhecimento é construído intersubjetivamente na interação entre professor e alunos na sala de aula.
O autor afirma que, qualquer mudança curricular “objetiva” deve passar por esse processo de interpretação e negociação em torno dos significados em que estão envolvidos professores e aluno na sala de aula. A importância da relação professor e aluno em sala de aula são muito importantes porque é através da mesma o ensino aprendizagem se desenvolverá.
O texto lido nos mostra fatos importantes no qual ensina o professor a não fazer acepção entre alunos, pois isso faz com que o aluno se sinta excluído e ao mesmo tempo incapaz, o professor tem que mostrar interesse pela educação de todos, sabendo incluí-los e não excluí-los. A NSE, (nova sociologia da educação) segundo o autor representa uma noção de “construção social”, ela encontra continuidade, por exemplo, nas análises do currículo que hoje são feitas com inspiração nos Estados Culturais e no Pós-estruturalismo. 

CÓDIGOS E REPRODUÇÃO CULTURAL: BASIL BERNSTEIN


Para Bernstein as áreas do conhecimento que constituem o currículo possuem um grau de isolamento e separação que podem ser maior ou menor, usando o termo classificação que corresponde ao que pode ficar junto. Um currículo do tipo tradicional é fortemente classificado já um currículo interdisciplinar é fragilmente classificado, porém para o autor independentemente de como o conhecimento é organizado – classificado sua ênfase maior está relacionado a  questão da pedagogia, ou seja, como o conhecimento é transmitido ,pois segundo o autor há variações no modo da transmissão ocasionando no estudante um  maior ou menor domínio sobre o ritmo de transmissão( a divisão do espaço pode ser mais ou menos rígida, os objetivos podem ser mais ou menos explícitos ,  os critérios de avaliação podem ser mais ou menos explícitos).
Bernstein faz uso de uma linguagem complexa e emprega vários conceitos em sua teoria. Ele coloca em dúvida o papel das pedagogias centradas na criança, ou seja, pedagogias progressistas sendo a favor da pedagogia tradicional, pois, segundo o autor a sala de aula tradicional possui um forte “enquadramento” e já uma sala de aula construtiva possui um fraco “enquadramento”, de acordo com o autor quanto maior o controle que o professor tiver no processo transmissão do conhecimento maior é o enquadramento.
Essa posição tomada pelo autor vai contra o pensamento educacional, pois como sabemos um professor da sala de aula tradicional é responsável apenas em repassar os conteúdos tornando seus alunos um ser passivo e receptivo e já um professor da tendência progressista passa a ser um facilitador da aprendizagem e os alunos são as figuras centrais do processo ensino aprendizagem.

QUEM ESCONDEU O CURRÍCULO OCULTO?

O currículo oculto é formado por características do ambiente escolar que esta dentro do currículo oficial, explícito e colabora implicitamente para aprendizagens sociais importantes. Na visão crítica, o que é aprendido no currículo oculto são atitudes, comportamentos, valores e orientações onde aceitam que crianças e jovens se ajustem à sociedade capitalista. O currículo oculto ensina o conformismo, obediência, individualismo e aprende atitudes e valores próprios de outras classes sociais, como ser homem ou mulher, como ser heterossexual ou homossexual.
O currículo oculto é formado pelas relações sociais da escola: as relações entre professores e alunos, entre a administração e os alunos e entre os alunos e alunos, a organização, estrutura da escola contribui para o comportamento social da criança e do jovem. O currículo oculto ensina através de rituais, regras, regulamentos, normas, também por meio das várias divisões como a escolar, separar os mais inteligentes e os menos capazes, entre garotos e garotas.
Parte da importância do currículo oculto está em sua natureza oculta, se desocultá-lo ficará menos eficaz, vai perder os efeitos por ser oculto. Ter a consciência do currículo oculto vai torná-lo menos importante. O ato de ocultação do currículo é decorrência de uma ação impessoal, abstrata, estrutural. Na era neoliberal de declaração explícita da subjetividade e dos valores capitalistas, não havia muito ocultismo no currículo, com a elevação neoliberal, o currículo tornou-se capitalista.

Prof. Daniel Barros

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PEDAGOGIA HOSPITALAR

Sabemos que a Pedagogia é um campo de atuação da educação que lida com o processo de construção do conhecimento, e que o profissional dessa área é o mais apto a mediar e nortear a educação, que por sua vez é guiada pela fixação de regras que só se colocam por conta da existência de objetivos educacionais. Por outro lado sabemos que o ambiente hospitalar, é um centro de referência e tratamento de saúde, que acaba por gerar um ambiente muitas vezes de dor, sofrimento e morte, causando uma forma de ruptura dessas crianças e adolescentes com os laços que mantém com seu cotidiano e produção da existência da construção de sua própria aprendizagem. Mediante a problemática de saúde que requeriam hospitalização, independente do tempo de internação, através das políticas públicas e estudos acadêmicos, surge a necessidade da implantação da Pedagogia Hospitalar.
O atendimento pedagógico em ambiente hospitalar é reconhecido pela legislação brasileira como direito da continuidade de escolarização aquelas crianças e adolescentes que se encontrem hospitalizados (CNDCA 1995).
O atendimento Pedagógico Hospitalar teve seu inicio na década de 50, na Cidade do Rio de Janeiro no Hospital Escola Menino Jesus, serviço esse que se mantêm até atualidade; servindo como um resgate da criança e ou adolescente, fazendo um elo entre sua realidade atual, como interno, e a vida cotidiana. O Profissional que atua na Pedagogia Hospitalar, tem formação de educador e que por meio de diversas atividades pedagógicas, acompanha e intervêm no processo de aprendizagem do educando, além de fornecer subsídios para a compreensão do processo de elaboração da doença e da morte, explicar procedimentos médicos e auxiliar a criança e o adolescente na adaptação hospitalar, dando oportunidade para que os mesmos possam exercer seus direitos de cidadãos.
A Pedagogia Hospitalar, dividi-se, basicamente em três modalidades:
Classe Hospitalar – Refere-se á escola no ambiente hospitalar na circunstancia de internação temporária ou permanente, garantindo o vinculo com a escola e/ou favorecendo o seu ingresso ou retorno ao seu grupo escolar correspondente.
Brinquedoteca – Brincar é muito importante para a criança, pois é por meio desta ação que ela usufrua de plenas oportunidades que possibilita desenvolver novas competências e aprender sobre o mundo, sobre as pessoas, e sobre si mesma. A brinquedoteca socializa o brinquedo, resgata brincadeiras tradicionais, e é o espaço onde está assegurado á criança o direito de brincar.
Recreação Hospitalar – Atividade que oferece a oportunidade da criança brincar, mas brincar não se limita somente ao contato ou interação com o objeto brinquedo, fundamental é constituir a possibilidade de uma atividade que pode ser realizada em um espaço interno ou externo.



(Publicado em 05 de outubro de 2007)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Neoliberalismo na educação

A teoria do Capital Humano teve raiz e base de sustentação marcada pelo crescimento econômico, pelo fortalecimento dos estados e na conquista do pleno emprego. A crise da Era do Ouro do capitalismo contemporâneo e o seu estrondoso desmoronamento a partir dos anos 1970 marcaram uma alteração substantiva na função econômica atributiva á escolaridade (SANFELICE, pag. 47. 2005).

A partir desse período a teoria do Capital Humano consagrou a escola como principal âmbito de formação para o emprego. Com isso a expansão dos sistemas escolares nacionais tem sido produtos, em certos sentido da promessa da escola como entidade integradora, ou seja, como principal responsável pelo processo de democratização (como um poderoso dispositivo institucional de interação social).

A degradação dos trabalhadores em educação não é uma exceção no cenário brasileiro atual. O conjunto das classes trabalhadoras brasileiras tem vivido desde a implantação do modelo capitalista neoliberal, a degradação de suas condições de vida e de trabalho. Esse modelo capitalista tem reservado para os trabalhadores do setor privado o desemprego crescente e prolongado, o emprego informal, sem direitos e mal remunerado, a redução ou supressão de direitos e o declínio da média salarial. Muitos desses sinais dos novos tempos já são amplamente visíveis no ensino privado. No setor público, o arrocho salarial, já antigo, foi reforçado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, a precariedade foi implantada pela Reforma Administrativa e a insegurança pelo terrorismo previdenciário das sucessivas reformas, oficiais e oficiosas, da previdência. As más condições de vida e de trabalho no setor da educação, apesar de suas especificidades, fazem parte, portanto, de uma situação geral vivida pela grande maioria dos trabalhadores brasileiros. (ARNALDO BOITO JR., 2002).

Com base no que se foi estudado o Capital Humano pode ser considerado como a soma dos investimentos de um indivíduo em aquisição de conhecimentos e que a qualquer momento reverte em benefícios econômicos para o próprio uso (Ex: na posse e procura de melhores empregos e vantagens consideráveis na aquisição de novas aprendizagens para o mercado de trabalho). Este capital, diferentemente do capital econômico, não pode ser roubado ou transferido, vindo acompanhar o individuo por toda a vida disponibilizando de alguma forma influencia de sua trajetória social e econômica.


Prof. Pedagogo Daniel F. Barros

sábado, 14 de novembro de 2009

Educação


A Máquina das Crianças

Resenha Crítica





PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Edição Revisada. Porto Alegre: Artmed, 2008.



Seymour Papert, autor do livro “A Máquina das Crianças”, nasceu a 1 de Março de 1928 em Pretória, África do Sul, onde cresceu e participou do movimento antipartheid. Tem sua formação na Universidade de Cambridge, onde o mesmo desenvolveu um trabalho de pesquisa em Matemática de 1954 a 1958. Seu doutoramento se deu em matemática devido o grande interesse pela pesquisa realizado na área. Trabalhou e conviveu com Jean Piaget na University of Geneva de 1958 a 1963. Seu principal objetivo era considerar o uso da matemática afim de entender como as crianças podem aprender e pensar. No início dos anos 60, Papert afiliou-se ao MIT onde, junto com Marvin Minsky, fundaram o Laboratório de Inteligência Artificial. Publicou vários artigos sobre matemática, Inteligência Artificial, educação, aprendizagem e raciocínio.

Papert, Seymour M. por meio de seu livro, A Máquina das Crianças: Repensando a Escola na Era da Informática, vêm abordar ao longo dos dez capítulos do livro ás diversas formas de utilização dos computadores pessoais na educação. Tendo vivido na época da historia da computação, mais especificamente na década de 50, Papert pôde presenciar a evolução dos computadores desde as criações das primeiras maquinas informatizadas de grande porte (enormes) e de acesso limitado a poucas pessoas até aos dias atuais com o desenvolvimento das mesmas para maquinas portáteis, onde estas já estão presentes nas residências e na vida de muitas pessoas em diversas classes sociais.

A máquina das Crianças aponta as contribuições e benefícios da implantação dos computadores na educação, assim como também coloca as barreiras criadas pela escola para aceitar a presença e utilidades dos computadores para o processo de ensino-aprendizagem.

Até hoje se discute a questão da substituição do trabalho do homem pelo trabalho das maquinas, não seria descartável se a escola temesse a possibilidade de substituição dos professores pelos computadores. Há de se concordar que muitas vezes tem-se medo de se aceitar o “Novo” pelo simples fato de não saber quais as reações e/ou as formas de aceitação do público por aquilo que acaba de surgir. Tendo que a educação formal prestada pela escola é tida como referencia para sociedade o “novo” de alguma forma poderia vir a esfacelar essa imagem, daí um dos motivos das restrições do uso dos computadores pelas escolas.

Papert trabalha muito bem as contribuições instrucionistas e construcionistas do computador na pratica educativa; expõe os softwares que ajudam o individuo a criar suas próprias idéias e construir seus conhecimentos, como também os softwares que cedem as ferramentas ao usuário e o guia como instrutor precisando algumas vezes de um mediador que possa vir a ajudar no processo de construção do ensino.

No capitulo 08 (oito) - Seymour fala sobre a evolução e entendimento de como os computadores podem ser usados no processo ensino-aprendizagem, uma das idéias principais citadas pelo autor em seu livro é a dos computadores conectados em redes (Por exemplo, internet), pois através dos computadores ligados a internet as crianças ou os usuários como todo passaram a ter uma maior facilidade e disponibilidade ao acesso de informações e noticias dispersas pelo o mundo inteiro, sem precisar depender da assistência direta de um professor ou outro adulto responsável, no processo de busca e construção de conhecimentos. Neste mesmo capitulo, o computador é posto como um facilitador no processo de busca, interpretação e formação dos conhecimentos, pois ele ajudará o professor a passar o conteúdo aos alunos de maneira mais fácil.

Papert trata da inclusão dos computadores na sociedade, como uma forma de contribuir para formação dos indivíduos, tanto na educação quanto na família e sociedade como todo. Os computadores são expostos como facilitadores que tem como principal função ajudar os indivíduos a buscarem “sozinhos” a aquisição de conhecimentos sem necessariamente a ajuda de outra pessoa; essa temática voltada para escola seria de grande prosperidade a partir do momento que os professores conseguissem introduzir os conteúdos trabalhados em sala com a tecnologia (computadores) no processo de ensino, assim os alunos poderiam aprender á aprender criando novas formas de assimilação e aprendizagem, deixando um pouco de lado a retórica tradicionalista, onde só o professor fala e os alunos internalizam o conhecimento do professor. Com a ajuda dos computadores na educação os discentes e docentes constroem o saber juntos, pois ambos poderão usufruir da facilidade que as maquinas dispõe para o processo de ensino.

É importe ressaltar também que Papert cita em seu livro a formas de utilização dos computadores na sociedade. O computador pode ser visto como mais uma porta para o processo de socialização, pois os alunos e/ou indivíduos através dos computadores podem interagir e trocar informações com milhares de pessoas do mundo inteiro, aumentando ainda mais a diversidade e amplitude de formas de aprendizagem; a partir do momento que uma pessoa pode interagir e trocar informações com uma outra pessoa do outro lado do mundo, essa mesma pessoa estará enriquecendo seu vocabulário de conhecimentos, conhecendo outras culturas, línguas, sociedades, comunidades, religiões, disciplinas, condutas, etc. O aluno pode adquirir milhões de conhecimentos e novos saberes sem nem precisar sair da sala de aula ou mesmo da própria casa. Sem falar que o autor trabalha muito bem a importância das maquinas na formação do intelecto dos alunos (indivíduos), trazendo a idéia de que o aprendiz gera uma autonomia intelectual, onde os mesmos passam a criar sozinhos, suas próprias idéias a aprendem a conhecer os conhecimentos científicos e empiristas em seus primeiros anos de escola.

A Máquina das Crianças trás grandes incentivos e idéias para prática docente dos professores, apesar de possuir um vocabulário remoto dificultoso ao entendimento dos leitores; em sua literatura o livro é possuidor de conteúdo enriquecedor e super importante a mente dos leitores trazendo muitas formas de introduzir os computadores (tecnologia) na educação. O mesmo vem a abordar as diversas contribuições da tecnologia para prática do professor e no processo de ensino-aprendizagem. Talvés o livro apresentasse uma melhor interpretação e proporcionasse até mesmo uma maior visão do conteúdo e assim o parto de mais ideias pelos leitores de como trabalhar a temática na educação, se o mesmo fosse reeditado e atualizado seu vocabulário.



INDICAÇÃO DA OBRA:



Recomendado a todos os professores e alunos ativos e passivos que dispõe duvidas sobre como implantar o uso de computadores e tecnologias em geral na educação, preferencialmente aos acadêmicos do curso de graduação em Licenciatura em Pedagogia pelo fato destes serem os principais influentes na formação de opiniões e mediador na educação e no processo de ensino-aprendizagem.

O mundo é de todos Nós!

Civilização Egípcia

Os egípcios tinham o rio Nilo como fonte de vida, já que eles viviam basicamente da agricultura. De junho a setembro, no período das cheias, as fortes chuvas inundavam o rio cheio; este transbordava e cobria grandes extensões de terras que o margeavam. Essas águas fertilizavam o solo com a matéria orgânica que traziam e que se transformava em fertilizante de primeira qualidade. Além de fertilizar o solo, o rio trazia grande quantidade de peixes e dava chances a milhares de barcos que navegavam sobre as águas fluviais.

SOCIEDADE

No Egito, a sociedade se dividia em algumas camadas, cada uma com suas funções bem definidas. A mulher, ao contrário da maioria das outras civilizações da antiguidade oriental, possuía posição avançada, podendo ocupar altos cargos políticos e religiosos, estabelecendo relativa igualdade com o homem.

A sociedade egípcia era heterogênea, dos quais se destacam 3 ordens principais:

  • Faraó e sua família;
  • Nobreza (detentora real das terras), Escribas (burocratas) e o Clero (sacerdotes);
  • Felás (camponeses, trabalham presos a terra e em obras públicas);

Cabe lembrar que entre a segunda e a terceira camada, havia ainda pequenos artesãos, militares, o baixo clero, e comerciantes incipientes que não bem representavam uma nova camada, mas indivíduos sem ordenação política, dependente dos superiores.

CULTURA

Durante a antigüidade, a cultura egípcia era o conjunto de manifestações culturais desenvolvidas no Antigo Egito.

Os egípcios foram um povo de profundas crenças religiosas. Isto teve importância na formação de sua civilização e organização social. Adotaram o politeísmo (crença em vários deuses). Desde os tempos mais antigos, os egípcios adoravam numerosos e estranhos deuses. Os primeiros foram animais e cada pessoa tinha o seu animal-deus que a protegia. Adoravam gatos, bois, serpentes, crocodilos, touros, chacais, gazelas, escaravelhos, etc.

Entre os animais adorados, o mais famoso foi o boi Ápis que, quando morria, provocava luto em todo o Egito e os sacerdotes procuravam nos campos um substituto fisicamente igual a este deus bovino. Acreditavam que um deus poderia se encarnar em um animal vivo.

O rio Nilo, com suas enchentes periódicas, e o vento quente do deserto, que destruía as colheitas, eram adorados como forças da natureza.

Os egípcios acreditavam na vida após a morte (ressurreição), por isso prestavam culto aos mortos (cerimônias fúnebres). Cada localidade tinha seus próprios deuses, com diferentes aspectos, sendo alguns parte homem e parte animal (geralmente corpo de homem e cabeça de animal – antropozoomorfismo).

Obs.: Há determinadas características que caracterizam as formas de representação de um Deus. De forma didática, temos as seguintes caracterizações:

  • Zoomorfismo: Feições ou formas de animais;
  • Antropomorfismo: Caracterização de Deus com aspectos humanos;
  • Antropozoomorfimos: Fusão das anteriores;

Os egípcio acreditavam que o ser humano era formado por Ká (o corpo) e por Rá (a alma). Para eles, no momento da morte, a alma (Rá) deixava o corpo (Ká), mas ela podia continuar a viver no reino de Osíris ou de Amon-Rá (DEUS). Isso seria possível somente se fosse conservado o corpo que devia sustentá-la. Daí vinha à importância de embalsamar ou mumificar o corpo para impedir que o mesmo se descompusesse. Para assegurar a sobrevivência da alma, caso a múmia fosse destruída, colocava-se no túmulo estatuetas do morto.